Eu Fragmentada Post fixo

Eu Fragmentada

Eu escrevo para dar vazão, perante a falta de coragem que eu tenho mediante as diversas coisas que costumo enfrentar no meu dia a dia. Eu escrevo porque, necessito cuspir para fora da garganta todos os nós que me prendem. Eu escrevo, pois me reconheço como detentora de uma força maior que me impulsiona a passar para o papel, tudo aquilo que as outras pessoas querem não ver.

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Borboletas na chuva de, Mara Vanessa Torres

Chove forte. Gotas autoritárias despencam do céu sem bater na porta ou enviar carta de apresentação. Tudo pesa. O ar, a própria respiração, a cabeça, o corpo, a alma. Acima de tudo, a alma; fogo fátuo de nossa crença que derruba sobre os ombros uma tonelada inteira e tudo o que podemos fazer é movimentar as pálpebras de cima para baixo em círculos eternos de paz. Chove do lado de dentro da minha casa. Gastei horas na rua vagando em busca de soluções enquanto o sol reinava quente, auspicioso. A forte luz ofuscando a visão, clareando ideais que nem eu mesma sabia que tinha, apontando caminhos. As estradas já iluminadas são muito mais fáceis de seguir do que empreender uma busca por lamparinas em armazéns velhos, mesmo que essas lamparinas esquecidas produzam uma luz própria, alimentada ou apagada por você.

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Peça

A vida é uma peça de teatro muito bem montada. Daquelas que se você errar algo, perde um ou dois espectadores. Se confrontá-los será julgada(o) da forma mais ignorante possível. O script é feito pelas mãos de uma sociedade doente, que te observa desde criança, antes mesmo de você dizer uma palavra. Não os deixe ver que está com medo, usam isso contra você, isso e todas as outras vulnerabilidades que te faz ser humano. Quando as cortinas se fecham não terá mais nada, apesar de alguns permanecerem ao seu lado não poderá contar com eles de verdade. Nos dão a opção de lidar com um teatro cheio. Cheio de gente que não se importa, estão ali fazendo mais um papel, fingindo que se importam, sendo que quando todos forem, elas irão também. A gente tem sempre medo de pular uma fala ou rasgar aquele papel estúpido e sentar pra escrever outro. Então suporte esse peso nas suas costas e essa dor feita pela pressão em sua garganta. Só pare. Olha ao redor, todos seguindo pelo mesmo caminho da mesma maneira, cada um exercendo o seu personagem. Sabendo suas falas, seus gestos, seus movimentos, a quem recorrer, com quem falar, em quem se aproximar. Continuar lendo “Peça”

Tela em branco

Era uma tela em branco, refletindo tudo o que andava sentindo. Tomou um gole do café, acendeu o cigarro. Era de madrugada, a rua ainda fazia barulho. A cidade nunca dormiu de verdade. Mergulhou o pincel na tinta vermelha e passou pela tela, depois na azul, na preta, na branca. Estava a semanas sem produzir nada, os papéis andavam jogados pelos cantos do apartamento, assim como as telas que se empoeiravam. Nada saía.Nem arranhando pela garganta, muito menos pelas pontas dos dedos das mãos. Era só uma mistura de cores aleatórias, completamente sem sentido, revirando sua cabeça. Encarou o líquido preto no copo e o viu fazer parte do caos naquela tela, escorrendo por entre as cores.Tinha que respirar, tomar um banho, sair de casa, comer alguma coisa, ver gente, sentir o mar. Aquelas coisas que lhe fariam bem. Mas não queria, nem tinha vontade. Se sentia nada, estar ou não estar, não faz diferença, não faz falta, como se nunca tivesse vivido de verdade. Existiu em alguma época e sumiu com o tempo que se foi, mas permaneceu entranhado. Passou a vida tendo suas sensibilidades apunhaladas, família, escola, rodas de amigos, sendo observada. O vazio dos corredores do prédio nessas horas, tirava um peso das suas costas. Não tinha muito com o que se preocupar. Não haviam olhos para lhe ver. Encostou a tela no poste, percebendo pela calçada que molhava a sola dos seus pés descalços, que não havia visto a chuva passar. Olhou para aquela avenida, ouvindo vozes ao longe. Eram risadas. Fazia três dias que não saía de casa, a madrugada andava  tirando seu sono, mas lhe dava outro mundo para observar, melhor do que aquele que a levava a se esconder. Era reconfortante. Continuar lendo “Tela em branco”

Plural | Redemoinho — Scenarium livros artesanais

 

Por, Lunna Guedes

 

Caros leitores,

Além de me aventurar pelas postagens aqui na A Estranhamente, minhas linhas também possuem o costume de serem traçadas nas revistas literárias da editora, Scenarium PluralEsse último mês pra finalizar o ano com chave de ouro e muita literatura, a escritora, editora e artesã Lunna Guedes, abordou na revista Plural deste mês o tema Golpe de 64… Aproveitando que estamos passando por um cenário político que nos remete a lembranças mórbidas daquela época, eu e mais 12 escritores compomos textos vorazes sobre o tema que tanto nos ronda em meados do século XXI. A seguir, Lunna escreveu suas considerações sobre a Plural deste mês… Acompanhem. Continuar lendo “Plural | Redemoinho — Scenarium livros artesanais”

Trocas com: Renata Leão

Ei, pessoal!

Trocas com Renata Leão?

À partir de hoje, toda segunda-feira, postarei textos literários que serviram de desenvolvimento da escrita criativa e desabafo poético entre mim, Maria Vitoria e a também escritora, Renata Leão. Já faz um tempo que nós compartilhamos uma troca de temas específicos por e-mail, afim de externalizar nossas angústias  e desenvolver nossa escrita. Trocas com Renata Leão, me permitiu experimentar diferentes olhares e diferentes modos de escrita de um jeito que há tempos eu não desenvolvia.

Como funciona essa troca?

Toda semana, eu e a Renata trocamos e-mails e cada uma designa para outra, um tema específico das mais variadas particularidades. Através destes e-mails, nós passamos a refletir uma sobre a outra e a realidade que nos consome. Toda segunda-feira, será postado aqui no blog um texto de cada escritora com dois temas distintos que uma designou para outra. Continuar lendo “Trocas com: Renata Leão”

Entrevista com a escritora, Lunna Guedes

Escritores(as)!

Venho por meio deste lhes apresentar a primeira entrevista realizada pessoalmente com perguntas e fotografias feitas por mim. Todas as palavras aqui contidas foram transcritas de uma forma singular por uma pessoa muito querida por mim que tive o prazer de conhecer através desse universo dos blogs e que desde então temos uma relação de escrita e café muito proveitosa. Os convido para apreciarem as palavras da Escritora, Editora e Artesã de livros, Lunna Guedes dona da editora:  Scenarium PluralContinuar lendo “Entrevista com a escritora, Lunna Guedes”

Os livros que abandonei

O corpo se move em direção as fileiras menores e os olhos tateiam os títulos até que as retinas cocem. A língua tem que chamuscar alguma coisa, ou então, tem de salivar como um cão ao avistar uma tigela de sobras do almoço. Estaticamente, por milésimos de frações uma única e simples frase terá de ser convincente o suficiente para que eu não vá embora. Abandonos prévios antes que as páginas se acabem, antes que os personagens virem mártires, antes que meu esôfago se embrulhe em matéria pasteurizada e eu tenha de vomitar outra obra jamais iniciada.  Continuar lendo “Os livros que abandonei”

O QUE EU ANDO LENDO?

CONTO
substantivo masculino
LITERATURA
narrativa breve e concisa, contendo um só conflito, uma única ação (com espaço ger. limitado a um ambiente), unidade de tempo, e número restrito de personagens.
Semana passada eu estava na pegada mais poética e bem menininha de 15 anos apaixonada e hoje a pegada é diferente. Hoje eu finalizei: Contos mais que mínimos de Heloisa Seixas. E pasmem… não são contos como estamos acostumados a encontrar por aí, são na verdade CONTOS MINÚSCULOS.

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Lápis cor de pele

Do décimo quinto eu vi, uma mulher negra vestida com um uniforme azul marinho. Ela trazia em uma das mãos um balde e na outra um par de luvas de borracha amarela.

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