Maratone-se #7

Aqui estamos nós no último dia da maratona de textos e eu percebi que funciono muito melhor quando tenho uma obrigação com a escrita. Sempre me ocorre de ficar dias, semanas e por muito azar, meses sem escrever um parágrafo se quer. Porém, sempre que acontece da Dona Lunna Guedes me lançar um desafio, isso é o suficiente para travar uma guerra espartana dentro de mim mesma e quando sento-me em frente a tela branca, é como se todo o poder do meu subconsciente viesse lindamente à tona.

Não tenho uma rotina para escrever. Não sou do tipo que só funciona em certos horários. Pode ser na madrugada em que os olhos não se pregam, pode ser voltando para casa sentada nos bancos das estações de metrô, pode ser enquanto observo às luzes artificiais da cidade da janela do nono andar, ou mesmo durante uma aula monótona e por incrível que pareça, até durante o sexo. Uma força maior me move e eu paro qualquer posição ou recepção ao gozo para correr em direção a algo que suporte minha mão pesada contornando linhas.  Continuar lendo “Maratone-se #7”

PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 | A PESSOA QUE SOU

Por falar em: A pessoa que sou, isso sempre me faz lembrar das malditas entrevistas de emprego quando os malditos entrevistadores colocavam uma folha em branco a minha frente e me davam o maldito tema: Quem sou eu?

Eu…?

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PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6| RETRATOS

Modos subjetivos de se encontrar em frações muito adversas. Vez ou outra desgostamos de nós, noutra, empunhamos nossa melhor máscara para rodopiar em um baile eterno chamado de vida. “RETRATOS“… Desta vez, me fiz em 6 partes para esclarecer uma gama de perturbações que ainda me revestem. E olha que em volta eu tinha as flores, eu tinhas os livros, eu tinha o sol rachando o tampo de meu crânio, mas, nos bastidores, eu possuía latas de cerveja empilhadas em latas de lixo de alumínio.  Continuar lendo “PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6| RETRATOS”

PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 | MINHAS MANHÃS

Não tenho uma rotina mercadológica. Não acordo ao som do galo e pego transporte público lotado. Não me sento a mesa e degusto um café da manhã farto. Não celebro os raios de sol e digo bom dia ao novo dia que se aconchega. Eu apenas perambulo no quadrado do meu: quarto-espaço-criativo, tomo meu próprio café da manhã a base de álcool, leio meus livros aleatoriamente e aprecio um pouco da humanidade da sacada.

Devo confessar que tenho sérios problemas com as manhãs… Vez ou outra, acordo odiosa do mundo, vez ou outra, acordo pronta para vencer a maratona de minha própria vida. Continuar lendo “PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 | MINHAS MANHÃS”

Feliz Ano Velho

Estava eu ali, beijando os bocais tristonhos de uma inverdade quase desfalida; quando me pus de pé ao embranquecer dos pentecostes universais traidores de minha própria sorte.

Busquei as drogas como um refugio prático a vida miserável pela qual meu sorriso não vingava, buscando sempre uma maneira eloquente de findar um coração esburacado pelas guerras que a rotina me calçavam. Entretanto, os clamores permutáveis de horas postas de joelhos semi-rachados, nada me traziam como glórias e eu estagnava ali… Contando as crostas de um irrisório despretérito. Continuar lendo “Feliz Ano Velho”

– A leitura que faço de mim mesma

Olhos pousados nas janelas com uma gota a pender da retina esquerda. Miragens de mim mesma correm na contramão de meu próprio corpo e espírito. É como se tudo o que sou se refletisse nessa janela respaldada pela penumbra das estações da vida. Os tímpanos se ensurdecem com o grave que toca a alma, come o ventre, pisa no próprio raciocínio lógico do termo evasão. Tudo o que eu sou é silvestre, é extinção, é mata fechada para expedição infantil militar depredatória. Bambu por bambu, cipó por cipó, galho por galho, e eu aqui de novo, pulando as arestas de uma selva desmatada pela hipocrisia. Continuar lendo “– A leitura que faço de mim mesma”

Eu sou o que as traças deixaram para trás

Meticulosamente as ideias se voltam para um casulo oco. Dormem. Auto se nutrem por lembranças ferrenhas. É tudo pendular, constante e interminável. Escuridão. Paredes negras, solo negro, teto negro. Caixinha de sapatos. Sem forro. Sem seda. Guardada num revestimento de madeira falso, horizontalmente embaixo de roupas antigas, furadas, empoeiradas, destroçadas por traças velhas. Continuar lendo “Eu sou o que as traças deixaram para trás”