A cantora que acordou surda

Os fones não duravam. As cordas vocais viviam sendo rasgadas com suas notas mais altas. Ao abrir as janelas era o mesmo ritual, uma cantoria de leve para chamar os pássaros, de tarde, no caos do tempo, vivia de fone para se ouvir enquanto não podia cantar de peito aberto para o mundo. Era fã dos diálogos de rua. Hora pousava os ouvidos na porta dos bares enquanto esperava pelo ônibus de volta para casa. Hora ficava a orelhar outros cantores que brotavam nos arredores da cidade. Continuar lendo “A cantora que acordou surda”