Tudo Puta!

Ela galopou através do deserto e estacionou seu pequeno jegue em minha varanda, trouxe consigo um punhado de facas sem cabo, chupetas sem alça, e dois isopores vazios.

A convidei para tatear o solo azulejado enquanto ela dizia:

– Ei, olha o que eu trouxe lá de casa para você, querida.

E eu disse:

– Ok. Ponha as facas na cozinhas junto com as chupetas e deixe os isopores atrás da porta da sala. Continuar lendo “Tudo Puta!”

Velho, que horas que a gente morre?

Os dentes são espirrados da boca e postos novamente no lugar com uma das mãos. A outra mão segura um cigarro de filtro vermelho por entre os dedos. No bigode, resquícios de cinzas. Pele perfurada por acnes brutais, revestida em grandiosas crateras. Olhos amarelados caídos. Sobrancelhas grossas e juntas de Frida. Lábios finos em cima, um pouco grossos embaixo. Toda uma carcaça envelhecida pelo tempo e pelos raios quentes do sol. Continuar lendo “Velho, que horas que a gente morre?”

Mantendo-se nos pilares de uma fortaleza anti social.

Íngreme e pendulo. Um amontoar de casas e vidas que se aglomeram na vastidão de um quadrante de terra. Antes barro, capim, cerrado. Hoje, pau a pique, madeira e uma ou outra de cimento e cal. Histórias, passados, antepassados que se interligam e formam uma espécie de corrente mundana natural. O que soma todas estas vidas? O que as multiplica, se as multiplica, o que o mundo fez delas para que se subtraíssem a uma parcela invisível?

Os dias vão, os anos seguem… as vezes um feijão na panela, as vezes um copo de água barrenta para driblar a fome e aquietar as entranhas famintas por uma sucessão de três dias ou mais. Daqui da minha varanda são exatamente 12:39 pm, mas ali do outro lado da grade o tempo corre diferente, os ponteiros dão voltas para trás e nenhum rumo segue em viés a uma vitória. Continuar lendo “Mantendo-se nos pilares de uma fortaleza anti social.”