Deve haver haveres para que a gente siga existindo de, Laila Oliveira

Era domingo, manhã arrastada pela insólita vontade de seguir na existência. Olhava eu para os tantos e irremediáveis livros, compostos em filas desconexas nas prateleiras cheias de pó. Eles, todos eles, encarando—me como se culpa eu tivesse por me ausentar por tanto tempo de suas páginas—palavras. Olhei pela janela, observei o topo dos telhados, adentrei algumas casas na esperança de saber um pouco mais sobre a vida dos que ali moravam. Nada! Apenas a escuridão e o vazio na mutua harmonia do domingo frio, de pouco sol e nuvens.

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Gabyanna Negra & Gorda, de Gabriela Rocha

Gabyanna Negra & Gorda, de Gabriela Rocha

Era a primeira vez em meses que eu tirava o dia de folga só para mim. Me permitir ficar até depois do meio-dia na cama a folhear páginas e a transcorrer por histórias que eu nunca pude escrever. Ao escolher Gabriela Rocha, para saciar minha fome de leitura, eu não imaginava que me olharia diferente após o termino de um livro escrito por uma mulher negra.

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Eu Fragmentada

Eu Fragmentada

Eu escrevo para dar vazão, perante a falta de coragem que eu tenho mediante as diversas coisas que costumo enfrentar no meu dia a dia. Eu escrevo porque, necessito cuspir para fora da garganta todos os nós que me prendem. Eu escrevo, pois me reconheço como detentora de uma força maior que me impulsiona a passar para o papel, tudo aquilo que as outras pessoas querem não ver.

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Trocas com, Renata Leão

Promessas não cumpridas, Maria Vitoria 

Olho e reolho para esse tema e a única coisa da qual eu consigo pensar é em mulheres. Mulheres e passados que nunca serão enterrados. Mulheres e suas fagulhas que me acendem em textos e me deixam torrando em chamas em cada linha tracejada. Mulheres e suas peles da qual eu escorava minha face nos tons solenes de seus braços, pescoço, seios, coxas e nadegas. Mulheres que batiam em minha porta em madrugadas de chuva. Mulheres que seguravam minhas mãos nas ruas do centro da cidade enquanto todos os olhos se voltavam raivosos contra nós. Mulheres e seus sorrisos camuflados de mentiras. Continuar lendo “Trocas com, Renata Leão”

Trocas com: Renata Leão

Ei, pessoal!

Trocas com Renata Leão?

À partir de hoje, toda segunda-feira, postarei textos literários que serviram de desenvolvimento da escrita criativa e desabafo poético entre mim, Maria Vitoria e a também escritora, Renata Leão. Já faz um tempo que nós compartilhamos uma troca de temas específicos por e-mail, afim de externalizar nossas angústias  e desenvolver nossa escrita. Trocas com Renata Leão, me permitiu experimentar diferentes olhares e diferentes modos de escrita de um jeito que há tempos eu não desenvolvia.

Como funciona essa troca?

Toda semana, eu e a Renata trocamos e-mails e cada uma designa para outra, um tema específico das mais variadas particularidades. Através destes e-mails, nós passamos a refletir uma sobre a outra e a realidade que nos consome. Toda segunda-feira, será postado aqui no blog um texto de cada escritora com dois temas distintos que uma designou para outra. Continuar lendo “Trocas com: Renata Leão”