Estou sozinha de olhos abertos para a escuridão

Olá, amada!

Já notou como as paredes são frias?

Por dias inteiros tudo corria bem, eu conseguira produzir uns bons capítulos de meu novo romance, e não, dessa vez eu não escrevi um livro inteiro sobre você. Poderia? Sim, poderia. Mas… Desta vez não fui capaz de escrever sobre as flores que você me dava ou sobre a brancura de sua pele macia, pois, especificamente nessas últimas duas semanas a luz não brotou através da janela e tudo o que eu pude acompanhar de perto, trancafiada nessa casa solitária foi a escuridão, uma grande massa de ar frio alojada em meus pulmões e uma negritude louca para abocanhar meus medos. Continuar lendo “Estou sozinha de olhos abertos para a escuridão”

As horas estão escritas num futuro impossível

Querida, amada minha.

 

Repouso meu corpo embaixo de uma goiabeira em seu estágio inicial contemplando os pequenos frutos em formação e as folhas esverdeadas que se alastram pelos galhos e se deitam pelo chão. Penso nas horas que voam breves, escritas num futuro impossível… Levo uma fruta a boca, brinco de adivinhar quais são os animais nas nuvens, ouço os pássaros dialogarem entre em si em sua própria língua nativa, respiro fundo… Expiro… Deixo então as memórias fluírem juntamente com o oxigênio que se esvai boca a fora. Continuar lendo “As horas estão escritas num futuro impossível”

Existe uma mesa com papéis, livros e uma lareira apagada

Cara, amada minha.

 

O fogo invisível queima o restante do que ainda me sobra. Desenlaço as outras cartas por correspondência e as jogo em cima de minha bagunça descontrolada, casando as cartas com os papéis rascunhados, livros e meia garrafa de Domecq.

Por aqui quase beiramos a primavera, porém o sol arde como a brasa do inferno. Não há lenços o suficiente para sugar o suor do buço, nem cuecas que não transpirem mais do que maratonistas em dia de São Silvestre. Tudo aqui caminha de uma forma meio réptil… Os dias rastejam como cobras traiçoeiras e picam tão duido como os escorpiões da África. Uma grande selva árida generalizada, entende? Continuar lendo “Existe uma mesa com papéis, livros e uma lareira apagada”