O LONGO PERCURSO DAQUI ATÉ ESTOCOLMO

Por, Michele Fernandes

Na Academia Real de Ciências da Suécia, ouve o seu nome ser chamado. Percorre o longo corredor sobre um tapete vermelho e sob o calor esfuziante dos aplausos, aquecendo os cinco graus negativos lá de fora. Após ser laureado, um microfone se instala à sua frente. É este o momento de fazer o seu discurso. Tímido, havia preparado uma folha de caderno com o resumo da sua contribuição científica e algumas frases de agradecimento. Enquanto olhava pra sua família orgulhosa, todos com os olhos gotejantes de emoção, começou a proferir um breve, porém emocionado discurso em sueco.

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Esquecidas aventuras

Por, Josi Siqueira

A vida tem passado rápido mas eu não me arrependo, não. Eu quero mais é aproveitar cada tiquinho que tiver direito. Ô, senhora, tu não vai comprar não? Vai só olhar, é? Ah, se eu cobrasse para as pessoas olharem minhas artes. Não é fácil fazer isso aqui, você sabe. Mas como eu ia dizendo, eu quero mesmo é desbundar. Quero fazer essas coisas doidas que a garotada faz. Dançar funk, quero dançar funk. Rebolar com a raba no chão, não é como dizem? Que foi, menina? Tá me achando doida, é? Aqui não tem meias palavras, a verdade pode ser feia mas é melhor que as mentiras cheias de floreios.

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3 Poemas do livro: Depois do Outono de, Érika Freire

Depois do Outono, o livro de poesias da escritora e jornalista Érika Freire, lançado em 2018 pela editora Urutau.

Há algum tempo atrás, eu apresentei a Érika pra vocês aqui no blog, se você ainda não viu, aqui está o dia da estréia dela. Nesse dia, contei um pouco sobre quem é Érika Freire, o que ela faz, do que ela gosta e comentei um pouco sobre seu livro, Depois do Outono.

Hoje, eu trago pra vocês, 3 poemas de Depois do Outono para que vocês possam apreciar essa belezinha e conhecer melhor o trabalho da autora. Confiram:

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Amor de hospício

Pela colunista: Mara Vanessa Torres

Uma tempestade cai sobre Santana dos Montes. As ruas da cidade estão cobertas por água e lama. Velhas construções coloniais seguem imperiosas e despreocupadas, com a força de quem já enfrentou dilúvios ainda maiores que aquele através dos séculos. Em uma casa humilde, próxima à igreja de Sant’ Ana, a idosa se prepara para mais uma visita. Usando o vestido lilás costurado há alguns dias, ela procura o gerânio que retirou do quintal logo cedo. Quer colocá-lo como adereço no cabelo. Precisa se apressar. Quando a chuva diminuir um pouco o ritmo, ela não irá perder nem mais um segundo dentro de casa.

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3 poemas da artista, Adriana Drih Paris

BICHO DE GOIABA

‘Aqui anda bem apertado e o sumo está amargando, sabia?

A massa que sempre me atraiu, anda me traindo e parece que me expulsando dos pequenos espaços que sempre ocupei aqui dentro.

Faz tanto tempo que existo, penso que todo mundo me conhece ou, ao menos, já ouviu falar de mim.

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Trocas com, Renata Leão

Entorpecer para não enlouquecer, Maria Vitoria

O cérebro esguicha um torpor pesado, é preciso então esvaziar toda essa insanidade.

As ideias correm rápidas demais, por vezes, passo de dois a três dias ininterruptos tragando os estigmas da vida e a concepção de nossa própria racionalidade. Diante disto, é preciso defecar restos de mim que se somam a cada segundo, gerando o endurecer e o putrificar de um vômito calejado. Às vezes, é necessário que eu mesma me fuzile num muro desprovido de cores. Eu também bebo. Eu também masturbo-me. Continuar lendo “Trocas com, Renata Leão”

Trocas com, Renata Leão

As marcas que deixei por, Maria Vitoria

Os pulsos são a ciência que eu sempre terei de comprovar o quanto sofri. Sim, estes mesmos pulsos lambidos pela lâmina cega todo dia de forma pontual às 20:35 da noite.
As figuras icônicas nas paredes de tinta branca me fazem transbordar para doze anos atrás quando eu ainda tinha minha coluna no encaixe do tapete de tranças negras e vermelhas, costuradas por um preço barato.
Por falar em costuradas, posso perfeitamente agora sorrir ao tocar as cicatrizes que trago em meu peito de forma sutil e singela. Continuar lendo “Trocas com, Renata Leão”

Desafio Literário | O que a vida fez de mim?

Todos os entraves da vida se misturam em nossos sonhos e nas nossas expectativas. Quando crianças somos condicionadas a esperar do futuro sempre o melhor e o mais colorido possível do progresso. Mas aí, nós crescemos e descobrimos que mesmo com o sol batendo nos vitrais de nossas janelas, tudo o que sempre desejamos nunca sai da maneira como a gente quer. Então a vida bate feio em nosso lombo e nos castiga, mas quer saber? Isso é resistência!

Hoje vocês podem acompanhar a trajetória de vida da autora, Ana Claudia Marques e refletir sobre as coisas que a vida faz com a gente. Fere, arde, não é a morte mas vale como uma puta experiência. Uma crônica que deixa tão visível os passos e os sentimentos adquiridos ao longo de vinte e tantos anos.  Continuar lendo “Desafio Literário | O que a vida fez de mim?”

NOVOS AUTORES

Olá, Escritores!

A velha rotina retorna e agora 80% recuperada posso andar pelas ruas observando a humanidade, alias, meu hobby preferido. Nas andanças de ontem pelo bairro Liberdade, eu pude claramente ver o porque eu escrevo, e porque isso é tão importante para mim. Escrever é mais do que prática ou como alguns gostam de denominar, “um dom“. Vai um pouco mais além, pra mim o ato de escrever se tornou uma ótima válvula de escape para tudo o que me atormenta ou me magoa. Ultimamente, o que mais vem me magoando é observar a humanidade e reparar como as pessoas andam em passos de formiga, carregando peso invisível em seus ombros, com os olhos extremamente cabisbaixos e tristes, as desigualdades sociais, a política, a falta de respeito e afeto e a necessidade da tecnologia nas mãos ao invés de livros físicos para contemplar.

Por falar em tecnologia e coisas tristes, como vocês preferem fazer uma leitura: Através de um celular, tablet, kindle e etc… Ou vocês preferem o bom e velho livro e a textura das páginas?

Sendo assim, as autoras desta semana são: Continuar lendo “NOVOS AUTORES”