Deve haver haveres para que a gente siga existindo de, Laila Oliveira

Era domingo, manhã arrastada pela insólita vontade de seguir na existência. Olhava eu para os tantos e irremediáveis livros, compostos em filas desconexas nas prateleiras cheias de pó. Eles, todos eles, encarando—me como se culpa eu tivesse por me ausentar por tanto tempo de suas páginas—palavras. Olhei pela janela, observei o topo dos telhados, adentrei algumas casas na esperança de saber um pouco mais sobre a vida dos que ali moravam. Nada! Apenas a escuridão e o vazio na mutua harmonia do domingo frio, de pouco sol e nuvens.

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Vassouras pretas

O ar me falta até quase meus olhos saltarem para fora de meus buracos, sinto o cérebro sambar de forma torta dentro de uma enorme superfície, posso sentir a temperatura que as sombras possuem quando estão prestes a te arrastar para a morte. Caio então, em poços construídos pela repetição das causas. Boca seca, mãos congelantes, arrasto o dorso por debaixo de pele morta. Continuar lendo “Vassouras pretas”

No calendário: 01 de março de 2018

Um macacão azul. Uma boca pintada de “nude”. Pautas feministas para serem abordadas às 19:00h na biblioteca Mario de Andrade.


Os ponteiros sobressaiam às horas, era tempo de correr para atravessar a cidade. Corre pra pegar ônibus. Corre pra pegar metrô. Corre pra pegar ingresso.

Ainda tínhamos uma hora antes que o evento começasse, eu não tinha pretensões sobre a noite, eu só tinha um beck, uma garrafa de 500ml de vodka sabor frutas vermelhas, e uma uva verde calçando meu estômago. Continuar lendo “No calendário: 01 de março de 2018”

Não seja RACISTA

MULHERES

Em 2015, cerca de 385 mulheres foram assassinadas por dia. A porcentagem de homicídio de mulheres cresceu 7,5% entre 2005 e 2015, em todo o País.

As regiões de Roraima, Goiás e Mato Grosso lideram a lista de estados com maiores taxas de homicídios de mulheres. Já São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal, ostentam as menores taxas. No Maranhão, houve um aumento de 124% na taxa de feminicídios. Continuar lendo “Não seja RACISTA”

Escravidão do séc XXI

Mamãe tem 52 anos. Trabalha para um branco há quase dezessete anos. Mamãe nunca teve férias ou décimo terceiro salário. Mamãe não sabe o que é feriado, natal ou comemorar meu aniversário.

Mamãe trabalha muito. Carregou até saco de cimento nas costas e rebocou paredes. Pegou chuva forte e enfrentou tempestades. Trabalhou até de madrugada para o patrão poder lucrar com sua fiel servidão. Continuar lendo “Escravidão do séc XXI”