A cantora que acordou surda

Os fones não duravam. As cordas vocais viviam sendo rasgadas com suas notas mais altas. Ao abrir as janelas era o mesmo ritual, uma cantoria de leve para chamar os pássaros, de tarde, no caos do tempo, vivia de fone para se ouvir enquanto não podia cantar de peito aberto para o mundo. Era fã dos diálogos de rua. Hora pousava os ouvidos na porta dos bares enquanto esperava pelo ônibus de volta para casa. Hora ficava a orelhar outros cantores que brotavam nos arredores da cidade. Continuar lendo “A cantora que acordou surda”

Lista de compras

Folhas de fichário avulsas
2 cadernos de uma matéria
Canetas de ponta fina 0,5
Fones de ouvido
1 diário para as confissões proibidas
Meia dúzia de cerveja barata
3 garrafas de vinho branco
Uma caixa de lenços de bolso
1 par de chinelos
1 bermuda confortável
1 camisa de botão
Bilhete único
10 reais para algum deguste Continuar lendo “Lista de compras”

OFICINA DE INICIAÇÃO À DRAMATURGIA

Olá, Escritores!

Como bem sabem a vida de escritor é bem mais do que apenas se sentar de modo confortável e escrever páginas e páginas como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Quem dera se assim o fosse. É mais do que apenas escrever, é aprimorar todos as habilidades que já trazemos conosco e transformá-las em algo maior. Concordam?

Sendo assim, trago aqui para vocês uma forma de aprimorar a vossas escritas através de uma oficina de escrita dramatúrgica. A quem não goste do estilo, mas nessas oficinas você sempre descobre que o estilo é só um detalhe.  Continuar lendo “OFICINA DE INICIAÇÃO À DRAMATURGIA”

OFICINA DE CONTOS

Olá, escritores!

O que andam escrevendo recentemente?

A vida de escritor é um eterno abrir e fechar de gavetas, colocando sempre num canto escuro aquele texto ultrassecreto ou aqueles rascunhos cheios de devaneios, não é mesmo? Então, nada melhor do que desenterrar essa caverna com o exercício prático da escrita. Sendo assim, trago uma dica literária para você, escritor ou não escritor:

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA  Continuar lendo “OFICINA DE CONTOS”

A primeira onça a gente nunca esquece

Olhos sedentos pela gula da carne, enaltecem os glóbulos negros que em minha direção se esbarram. Posso sentir o ardor e o frio dançarem de forma conjunta por minha espinha dorsal. Engulo a seco o medo, desvio o olhar das garras afiadas agora expostas perante ao sol das 15:24h. Continuar lendo “A primeira onça a gente nunca esquece”