Deve haver haveres para que a gente siga existindo de, Laila Oliveira

Era domingo, manhã arrastada pela insólita vontade de seguir na existência. Olhava eu para os tantos e irremediáveis livros, compostos em filas desconexas nas prateleiras cheias de pó. Eles, todos eles, encarando—me como se culpa eu tivesse por me ausentar por tanto tempo de suas páginas—palavras. Olhei pela janela, observei o topo dos telhados, adentrei algumas casas na esperança de saber um pouco mais sobre a vida dos que ali moravam. Nada! Apenas a escuridão e o vazio na mutua harmonia do domingo frio, de pouco sol e nuvens.

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3 Poemas do livro: Depois do Outono de, Érika Freire

Depois do Outono, o livro de poesias da escritora e jornalista Érika Freire, lançado em 2018 pela editora Urutau.

Há algum tempo atrás, eu apresentei a Érika pra vocês aqui no blog, se você ainda não viu, aqui está o dia da estréia dela. Nesse dia, contei um pouco sobre quem é Érika Freire, o que ela faz, do que ela gosta e comentei um pouco sobre seu livro, Depois do Outono.

Hoje, eu trago pra vocês, 3 poemas de Depois do Outono para que vocês possam apreciar essa belezinha e conhecer melhor o trabalho da autora. Confiram:

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Cordões de Celofane, de Paulo Sá

O relógio aproximava-se das quinze horas, o sol ia alto, as crianças pulavam em volta da quadra, os carros e os ônibus passavam… resolvi me sentar, retirei um pequeno livro da mochila, o depositei sobre a mesa da praça, dei um gole na vodka que eu trazia comigo e abri, por fim, no trecho deste poema:

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Fragmentos acinzentados

Minhas pálpebras descamam. Desço as escadas rolantes, com as duas mãos no bolso, ouvindo rap e esboçando sorrisos tímidos. Me peguei não prendendo mais o ar diante de olhos que me observavam. Era eu, sozinha rumo ao solo da terra, enquanto a minha direita, uma manada de corpos com dezenas de olhos, rolavam sobre mim. Eu, não mais sentia tanto peso e pesar.Mesmo com dezenas … Continuar lendo Fragmentos acinzentados

Alda Santos

Quando não estou em mim, de Alda Santos

A semana havia sido agitada, meu cérebro trazia uma sobrecarga psíquica enorme, o corpo doía como se tivesse sido castigado, eu andava descrente de tudo, a única coisa que eu tinha certeza era de que havia uma pilha de poemas novos para ler…

Cada poema de, Alda Santos é como uma espécie de viagem que fazemos para dentro de nós e desejamos nunca mais voltar para a superfície da realidade. A autora consegue proporcionar através de poemas e prosas poéticas, um contato diferente com o universo.

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