Garoa nem sempre é sinal de chuva

Caçando livros de forma aleatória nas prateleiras, ouvindo Marisa Monte tentando não pensar em nada. Então sua mão brota de forma quase intocável em meu ombro, retiro meus fones como gesto de cumprimento e te alcanço um sorriso com aspecto de surpresa. Continuar lendo “Garoa nem sempre é sinal de chuva”

Gestão e Planejamento

Cobertas vão pelos ares bebendo da cor cinza das nuvens tortas.
Um corpo superaquecido pela graça dos sonhos de um amor falido.

Avisto mãos infantis catando migalhas de bocas que espirram desperdicio.
Às vezes o perdão da jovem fome só se encontra quando a palma negra refuça o lixo. Continuar lendo “Gestão e Planejamento”

Brincos de madeira e balas de plástico

Mãos frias e transparentes, tocando no contexto de minha pele esculpida pela fervura. Teus olhos pedem para serem salpicados pelo sal do meu sorriso. A partícula fina da chuva despenca sobre luzes presas em postes de plástico e meu dorso se remexe grudado em astes de madeira enrigessida. Um livro sobre à mesa; suicídio. Declínio corriqueiro das nossas perturbações mútuas. As horas pendem junto com … Continuar lendo Brincos de madeira e balas de plástico

Desafio Literário | O que a vida fez de mim?

Por aqui temos o sol carcomendo minha pele ressecada. Temos hoje, cerveja barata custando 1,29 apenas. Temos também um arsenal parcialmente grande de livros para cheiras e lamber as orelhas enquanto os pássaros cantam um tanto quanto roucos pousados em galhos cerrados pela ferramenta do homem. Claro, já quase ia esquecendo, hoje é dia de feira por aqui também, mas estou numa dúvida danada entre um pastel tamanho especial ou mais meia dúzia de cerveja barata antes do horário do almoço.

Enfim, dias como este me lembram poemas escritos em últimas circunstancias sobre coisas que precisam ser vomitadas antes que o sol exploda em forma de câncer de pele. E por falar em poema, estou aqui a ler Paulo Ferrari e pensando… Se conseguires faz o que quiseres de mim, ó diabólica vida…

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Bate papo com a dona lua

Os pés se embolam nos passos vagarosos e certeiros. As mãos esbarram na fresta de minhas digitais fazendo com que metade de mim se sinta acolhida.

Às vezes me pego pensando no timbre da sua voz e no poder que seu sotaque francês exerce sobre sim, e então posso repousar meus ombros cansados no colo que tanto acalenta minhas fragilidades. Continuar lendo “Bate papo com a dona lua”

NOVOS AUTORES

Olá, Escritores!

A velha rotina retorna e agora 80% recuperada posso andar pelas ruas observando a humanidade, alias, meu hobby preferido. Nas andanças de ontem pelo bairro Liberdade, eu pude claramente ver o porque eu escrevo, e porque isso é tão importante para mim. Escrever é mais do que prática ou como alguns gostam de denominar, “um dom“. Vai um pouco mais além, pra mim o ato de escrever se tornou uma ótima válvula de escape para tudo o que me atormenta ou me magoa. Ultimamente, o que mais vem me magoando é observar a humanidade e reparar como as pessoas andam em passos de formiga, carregando peso invisível em seus ombros, com os olhos extremamente cabisbaixos e tristes, as desigualdades sociais, a política, a falta de respeito e afeto e a necessidade da tecnologia nas mãos ao invés de livros físicos para contemplar.

Por falar em tecnologia e coisas tristes, como vocês preferem fazer uma leitura: Através de um celular, tablet, kindle e etc… Ou vocês preferem o bom e velho livro e a textura das páginas?

Sendo assim, as autoras desta semana são: Continuar lendo “NOVOS AUTORES”

Bella Jaú

Sinto cheiro de urina no ar enquanto procuro algo no escuro para secar minhas mãos úmidas. A fome me assola um pouco ao mesmo tempo que uma diarreia está a caminho. Olho metade de um espelho na fresta da luz que vem da rua e consigo avistar cadeiras pretas empilhadas vestidas de logomarcas vermelho com branco. Meu peito chia em catarro. Cuspo algo em velocidade na borda de uma lata de plástico com papel toalha até a boca. Agora posso sentir minha bexiga leve como plumas e tudo o que eu desejo é ingerir mais álcool gelado para dentro de meu organismo. Continuar lendo “Bella Jaú”