Deve haver haveres para que a gente siga existindo de, Laila Oliveira

Era domingo, manhã arrastada pela insólita vontade de seguir na existência. Olhava eu para os tantos e irremediáveis livros, compostos em filas desconexas nas prateleiras cheias de pó. Eles, todos eles, encarando—me como se culpa eu tivesse por me ausentar por tanto tempo de suas páginas—palavras. Olhei pela janela, observei o topo dos telhados, adentrei algumas casas na esperança de saber um pouco mais sobre a vida dos que ali moravam. Nada! Apenas a escuridão e o vazio na mutua harmonia do domingo frio, de pouco sol e nuvens.

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Entrevista com o escritor e musicista, Paulo Sá

Recentemente, publiquei por aqui a resenha do livro de poemas, Cordões de Celofane do escritor e musicista, Paulo Sá. Se você ainda não viu a resenha, você pode acompanhar, clicando bem aqui.

Hoje, trago uma entrevista feita com o Paulo a respeito do seu processo literário e um pouco de sua vida fora da escrita, uma vez que ele também é: ficcionista, redator, trabalhos editoriais, professor de redação, e na música, como guitarrista, compositor, letrista e pesquisador musical.

Paulo Sá, ainda nos trás uma perspectiva do caminho que trilhou até aqui e dá algumas dicas para quem deseja se tornar um escritor, além de nos contar sobre os resultados obtidos após o lançamento do seu livro. Acompanhem:

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3 Poemas do livro: Depois do Outono de, Érika Freire

Depois do Outono, o livro de poesias da escritora e jornalista Érika Freire, lançado em 2018 pela editora Urutau.

Há algum tempo atrás, eu apresentei a Érika pra vocês aqui no blog, se você ainda não viu, aqui está o dia da estréia dela. Nesse dia, contei um pouco sobre quem é Érika Freire, o que ela faz, do que ela gosta e comentei um pouco sobre seu livro, Depois do Outono.

Hoje, eu trago pra vocês, 3 poemas de Depois do Outono para que vocês possam apreciar essa belezinha e conhecer melhor o trabalho da autora. Confiram:

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Cordões de Celofane, de Paulo Sá

O relógio aproximava-se das quinze horas, o sol ia alto, as crianças pulavam em volta da quadra, os carros e os ônibus passavam… resolvi me sentar, retirei um pequeno livro da mochila, o depositei sobre a mesa da praça, dei um gole na vodka que eu trazia comigo e abri, por fim, no trecho deste poema:

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6 poemas de, Bárbara Seidel

Agora de hoje em diante serei abrigo constante do meu próprio ser me espero em pódio de chegada e no girar da fechadura me abrigo me visto em minha pele me caibo me escondo e me acho. Sou casa destinatário e remetente ausente e presente desprovido de disfarces sou cada pedra no caminho às vezes em desalinho testando novos encaixes. Vejo um caminho de formigas … Continuar lendo 6 poemas de, Bárbara Seidel

Fragmentos acinzentados

Sinto que sou um poço. Daqueles que escada ou corda nenhuma é capaz de alcançar meu corpo no fundo de alguma coisa. Paredes se fecham e contorcem meus ossos, enquanto o único raio de luz que fingia uma falta esperança, se esvai para o encontro das sombras.

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Fragmentos acinzentados

Minhas pálpebras descamam. Desço as escadas rolantes, com as duas mãos no bolso, ouvindo rap e esboçando sorrisos tímidos. Me peguei não prendendo mais o ar diante de olhos que me observavam. Era eu, sozinha rumo ao solo da terra, enquanto a minha direita, uma manada de corpos com dezenas de olhos, rolavam sobre mim. Eu, não mais sentia tanto peso e pesar.Mesmo com dezenas … Continuar lendo Fragmentos acinzentados