Rachadura pós sexo

Há uma rachadura na parede que encaro enquanto tenho meu corpo – nu – em cima do corpo de uma mulher.

Grudadas por suor em formato de cola é possível sentir as veias que sobressaltam nosso peito – pescoço – vulva.

Meus olhos estão fixos demais na rachadura. Fixos tão firmemente que duas gotas d’água pingam por cima dos ombros dela e caem diretamente no meu lençol azul sujo como todo o resto deste quarto.

Em minha mente eu só consigo pensar no quanto eu queria trepar até que minhas entranhas saíssem pelo meu grelo Continuar lendo “Rachadura pós sexo”

A democracia brasileira e o amor ao ódio

Um branco em tom de jaleco atravessa um muro preto. Um preto em tom de sujeira pisa num chão branco. Os dois tons se unem em comunhão a troca – uns vendem pinos e papéis – uns oferecem narizes e notas altas. Há pedras rolando nas mãos infantis. Há pedras que fumam. Há pedras que matam. Vermelho combina com olhos esfumaçados – que combina com … Continuar lendo A democracia brasileira e o amor ao ódio

Terminal luz

As mãos e a ânsia andam apressados procurando os lábios que tanto tardaram a encontrar nossas bocas.

O cheiro exala o contraste da sua pele colada nos órgãos vitais do meu coração.

Nossos sorrisos estão agitados como cães que depositam sua felicidade em abrigos como recompensa. Continuar lendo “Terminal luz”

Garoa nem sempre é sinal de chuva

Caçando livros de forma aleatória nas prateleiras, ouvindo Marisa Monte tentando não pensar em nada. Então sua mão brota de forma quase intocável em meu ombro, retiro meus fones como gesto de cumprimento e te alcanço um sorriso com aspecto de surpresa. Continuar lendo “Garoa nem sempre é sinal de chuva”

Gestão e Planejamento

Cobertas vão pelos ares bebendo da cor cinza das nuvens tortas.
Um corpo superaquecido pela graça dos sonhos de um amor falido.

Avisto mãos infantis catando migalhas de bocas que espirram desperdicio.
Às vezes o perdão da jovem fome só se encontra quando a palma negra refuça o lixo. Continuar lendo “Gestão e Planejamento”

Brincos de madeira e balas de plástico

Mãos frias e transparentes, tocando no contexto de minha pele esculpida pela fervura. Teus olhos pedem para serem salpicados pelo sal do meu sorriso. A partícula fina da chuva despenca sobre luzes presas em postes de plástico e meu dorso se remexe grudado em astes de madeira enrigessida. Um livro sobre à mesa; suicídio. Declínio corriqueiro das nossas perturbações mútuas. As horas pendem junto com … Continuar lendo Brincos de madeira e balas de plástico

Bate papo com a dona lua

Os pés se embolam nos passos vagarosos e certeiros. As mãos esbarram na fresta de minhas digitais fazendo com que metade de mim se sinta acolhida.

Às vezes me pego pensando no timbre da sua voz e no poder que seu sotaque francês exerce sobre sim, e então posso repousar meus ombros cansados no colo que tanto acalenta minhas fragilidades. Continuar lendo “Bate papo com a dona lua”