Na favela tem gato preto

Havia uma viela e uma boca de fumo. Whisky, cocaína, cerveja, armas. Do nada da escuridão, Washington brota sorrindo com um brilho nos olhos de quem já havia me visto pelas ruas de terra. A suas costas, dois homens ainda se valiam pelo escuro enquanto cabisbaixos, seguravam sacos brancos de plástico, com farinha branca em pequenas cápsulas transparentes. Continuar lendo “Na favela tem gato preto”

Negra, eu?

Já são quase dez horas da noite e o suor ainda escorre. As veias saltitam nos olhos, pescoço e braços, enquanto a coluna é prejudicada pela repetição de: agachar, ajoelhar, limpar… agachar, ajoelhar, limpar…

Me olho no espelho e o reflexo que vejo é: revolta, dor, solidão…

Sinto minha coluna voltar a queimar, e é uma dor daquelas de movimentos repetitivos. Continuar lendo “Negra, eu?”

Mantendo-se nos pilares de uma fortaleza anti social.

Íngreme e pendulo. Um amontoar de casas e vidas que se aglomeram na vastidão de um quadrante de terra. Antes barro, capim, cerrado. Hoje, pau a pique, madeira e uma ou outra de cimento e cal. Histórias, passados, antepassados que se interligam e formam uma espécie de corrente mundana natural. O que soma todas estas vidas? O que as multiplica, se as multiplica, o que o mundo fez delas para que se subtraíssem a uma parcela invisível?

Os dias vão, os anos seguem… as vezes um feijão na panela, as vezes um copo de água barrenta para driblar a fome e aquietar as entranhas famintas por uma sucessão de três dias ou mais. Daqui da minha varanda são exatamente 12:39 pm, mas ali do outro lado da grade o tempo corre diferente, os ponteiros dão voltas para trás e nenhum rumo segue em viés a uma vitória. Continuar lendo “Mantendo-se nos pilares de uma fortaleza anti social.”