Cheiro de mofo e dentes separados

Proporções de você se escoram em meus ombros derramando o perfume que usava em nossas juventudes. Meus olhos doloridos esguicham água salgada enquanto meus ouvidos sobrevoam para fora das janelas de plástico. Sinto sua voz desmanchando por entre meus dedos e meu útero dói constantemente. Vertigens acaloradas tomam conta de meu ser que hoje sente-se tão ausente, sente-se acanhado por sustentar ossos, sangue e pele. Continuar lendo “Cheiro de mofo e dentes separados”

— escuto o silêncio de boca-a-boca, de porta-a-porta

As portas soam como sinos de fabricas. Os cartões de ponto são demarcados e a liberdade atinge peitos dilacerados pelas horas hostis e deprimentes.

Atraso por atraso e os segundos correndo contra minha própria vida. Precisei pegar um ônibus qualquer para chegar até o centro, meu estomago doía pelos milésimos percorridos, encontrei bilhetes na mochila que tinha ganhado de um morador de rua, um amigo me puxou pela mochila enquanto eu passava apressada pela estação de metrô e disse: “Eai, lixo”. Continuar lendo “— escuto o silêncio de boca-a-boca, de porta-a-porta”

Fragmentos sobre ELA

Sinto o peso que os calafrios me trazem quando penso no amor como algo novo.

Logo eu, que prometi a mim mesma nunca mais entregar meu coração solitário nas mãos amputadas de alguém sem complacência com os sentimentos alheios. E olha eu aqui, escrevendo sobre a novidade que nos engasga toda vez que pigarreamos sobre os efeitos de outra pessoa em nós.

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Sinto sua falta

Sinto a sua falta. Sinto falta da gente. Sinto falta de poder te presentear com flores. Sinto falto de te buscar no trabalho. Sinto falta de poder te ligar de madrugada. Sinto falta de andar de mãos dadas pelo centro. Sinto falta de poder dormir juntas. Sinto falta de comer no Mac com você. Sinto falta da gente brincando de teatro. Sinto falta de ver você conversando com a minha mãe na sala. Continuar lendo “Sinto sua falta”