Símbolo feminino e lágrimas salgadas

Alguma coisa faz penicar os olhos de uma garota a minha frente. Talvez um cílios desprendido, ou quem sabe um teco de poeira urbana.

A garota tinha um broche com dois símbolos femininos em sua camiseta do Che Guevara e um pequeno corte sutil em um dos braços. Observei seus trejeitos em fração de segundos e voltei para minha leitura. Vez ou outra os olhos pinicavam e as mãos iam de encontro aos olhos. Continuar lendo “Símbolo feminino e lágrimas salgadas”

Na favela tem gato preto

Havia uma viela e uma boca de fumo. Whisky, cocaína, cerveja, armas. Do nada da escuridão, Washington brota sorrindo com um brilho nos olhos de quem já havia me visto pelas ruas de terra. A suas costas, dois homens ainda se valiam pelo escuro enquanto cabisbaixos, seguravam sacos brancos de plástico, com farinha branca em pequenas cápsulas transparentes. Continuar lendo “Na favela tem gato preto”

Derivações de uma sexta-feira

3:12 da manhã. O sono não me invade, ao contrário, me mutila a mente, me castiga a carne. Penso nas atrocidades da vida, na personalidade e no egocentrismo das pessoas, em idas ao psicólogo, em porres de cerveja, em lâminas rasgando meus pulsos.
 
Tudo, tudo agora gira em torno de meu egoísmo, desde as garrafas desalinhadas até as pequenas coisas escritas em papeis amassados dentro das gavetas de minha escrivaninha, tudo gira em torno de meu egoísmo de certa forma.

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A ligação que nunca consegui finalizar

Embaraço as palavras do mesmo modo que embaraço o sorriso e camuflo o olhar.

Às vezes não é perceptível, mas seria tão mais fácil se de longe você pudesse sentir que meus instintos procuram por você.

Alguém diz: “Você está esperando por alguém?”

E eu digo: “Não.”

Alguém diz: “Tem certeza?”

E eu digo: “Absoluta.”

Por que mentimos para nós mesmos? Por que ao menos para nós não podemos escancarar a verdade?

Esse é o mal do século. Esse grande esconde-esconde individual. Continuar lendo “A ligação que nunca consegui finalizar”

Com amor, Mortis

Cara amada, lágrimas rolam sem eu saber o motivo de tal existência. Me permaneço agora perdida, mergulhada em ideias sortidas e devaneios conturbados. Olho ao redor de mim; escuridão.

Toneladas aconchegam-se em meus ombros e fazem moradia, por fim, prevejo outra noite acasalando-me com minha amante: insônia!

Hoje o dia foi perdido, as horas se baniram em minha vida, envelopada numa correspondência que jamais terá um destinatário. Em mim, órgãos doem sem doer, pedindo por uma falência causada pelo enterro de algum vício mortal qualquer… Continuar lendo “Com amor, Mortis”