Coletânea Literária

Cabe a mim resistir

Eu, mulher preta desde nascença,
carrego comigo impressões do tempo em meu rosto.
Carrego também em minha alma as marcas das minhas ancestrais que sofreram no tronco,
que sofreram nas mãos dos senhores estupradores a quem eram obrigadas a servir as mesas
e também as suas camas.

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Trocas com, Renata Leão

Entorpecer para não enlouquecer, Maria Vitoria

O cérebro esguicha um torpor pesado, é preciso então esvaziar toda essa insanidade.

As ideias correm rápidas demais, por vezes, passo de dois a três dias ininterruptos tragando os estigmas da vida e a concepção de nossa própria racionalidade. Diante disto, é preciso defecar restos de mim que se somam a cada segundo, gerando o endurecer e o putrificar de um vômito calejado. Às vezes, é necessário que eu mesma me fuzile num muro desprovido de cores. Eu também bebo. Eu também masturbo-me. Continuar lendo “Trocas com, Renata Leão”

Trocas com, Renata Leão

As marcas que deixei por, Maria Vitoria

Os pulsos são a ciência que eu sempre terei de comprovar o quanto sofri. Sim, estes mesmos pulsos lambidos pela lâmina cega todo dia de forma pontual às 20:35 da noite.
As figuras icônicas nas paredes de tinta branca me fazem transbordar para doze anos atrás quando eu ainda tinha minha coluna no encaixe do tapete de tranças negras e vermelhas, costuradas por um preço barato.
Por falar em costuradas, posso perfeitamente agora sorrir ao tocar as cicatrizes que trago em meu peito de forma sutil e singela. Continuar lendo “Trocas com, Renata Leão”