Vassouras pretas

O ar me falta até quase meus olhos saltarem para fora de meus buracos, sinto o cérebro sambar de forma torta dentro de uma enorme superfície, posso sentir a temperatura que as sombras possuem quando estão prestes a te arrastar para a morte. Caio então, em poços construídos pela repetição das causas. Boca seca, mãos congelantes, arrasto o dorso por debaixo de pele morta. Continuar lendo “Vassouras pretas”

Negra, eu?

Já são quase dez horas da noite e o suor ainda escorre. As veias saltitam nos olhos, pescoço e braços, enquanto a coluna é prejudicada pela repetição de: agachar, ajoelhar, limpar… agachar, ajoelhar, limpar…

Me olho no espelho e o reflexo que vejo é: revolta, dor, solidão…

Sinto minha coluna voltar a queimar, e é uma dor daquelas de movimentos repetitivos. Continuar lendo “Negra, eu?”

Mantendo-se nos pilares de uma fortaleza anti social.

Íngreme e pendulo. Um amontoar de casas e vidas que se aglomeram na vastidão de um quadrante de terra. Antes barro, capim, cerrado. Hoje, pau a pique, madeira e uma ou outra de cimento e cal. Histórias, passados, antepassados que se interligam e formam uma espécie de corrente mundana natural. O que soma todas estas vidas? O que as multiplica, se as multiplica, o que o mundo fez delas para que se subtraíssem a uma parcela invisível?

Os dias vão, os anos seguem… as vezes um feijão na panela, as vezes um copo de água barrenta para driblar a fome e aquietar as entranhas famintas por uma sucessão de três dias ou mais. Daqui da minha varanda são exatamente 12:39 pm, mas ali do outro lado da grade o tempo corre diferente, os ponteiros dão voltas para trás e nenhum rumo segue em viés a uma vitória. Continuar lendo “Mantendo-se nos pilares de uma fortaleza anti social.”