®existir | Maria Vitoria

Meus caros leitores, Recentemente a escritora e editora, Lunna Guedes, reuniu um punhado de textos com o tema: Resistir, escrito por diversos outros tantos escritores que compõe a cena underground independente brasileira e eu, jovem mortal e a mais nova de toda leva, tive um dos meus textos de resistência postado em sua revista virtual. Confiram a seguir… Resisto, enquanto tenho um cano molhado de … Continuar lendo ®existir | Maria Vitoria

Trocas com, Renata Leão

Entorpecer para não enlouquecer, Maria Vitoria

O cérebro esguicha um torpor pesado, é preciso então esvaziar toda essa insanidade.

As ideias correm rápidas demais, por vezes, passo de dois a três dias ininterruptos tragando os estigmas da vida e a concepção de nossa própria racionalidade. Diante disto, é preciso defecar restos de mim que se somam a cada segundo, gerando o endurecer e o putrificar de um vômito calejado. Às vezes, é necessário que eu mesma me fuzile num muro desprovido de cores. Eu também bebo. Eu também masturbo-me. Continuar lendo “Trocas com, Renata Leão”

Trocas com, Renata Leão

As marcas que deixei por, Maria Vitoria

Os pulsos são a ciência que eu sempre terei de comprovar o quanto sofri. Sim, estes mesmos pulsos lambidos pela lâmina cega todo dia de forma pontual às 20:35 da noite.
As figuras icônicas nas paredes de tinta branca me fazem transbordar para doze anos atrás quando eu ainda tinha minha coluna no encaixe do tapete de tranças negras e vermelhas, costuradas por um preço barato.
Por falar em costuradas, posso perfeitamente agora sorrir ao tocar as cicatrizes que trago em meu peito de forma sutil e singela. Continuar lendo “Trocas com, Renata Leão”

Trocas com: Renata Leão

Ei, pessoal!

Trocas com Renata Leão?

À partir de hoje, toda segunda-feira, postarei textos literários que serviram de desenvolvimento da escrita criativa e desabafo poético entre mim, Maria Vitoria e a também escritora, Renata Leão. Já faz um tempo que nós compartilhamos uma troca de temas específicos por e-mail, afim de externalizar nossas angústias  e desenvolver nossa escrita. Trocas com Renata Leão, me permitiu experimentar diferentes olhares e diferentes modos de escrita de um jeito que há tempos eu não desenvolvia.

Como funciona essa troca?

Toda semana, eu e a Renata trocamos e-mails e cada uma designa para outra, um tema específico das mais variadas particularidades. Através destes e-mails, nós passamos a refletir uma sobre a outra e a realidade que nos consome. Toda segunda-feira, será postado aqui no blog um texto de cada escritora com dois temas distintos que uma designou para outra. Continuar lendo “Trocas com: Renata Leão”

Capitão meu capitão

Homens com as costas coladas no cimento frio. Três crianças negras jogando bola. Ao longe um moletom rosa tenta sobressair o pescoço infantil que ninguém enxerga. Gays. Homos. Lésbicas. Travestis e bissexuais. Eu os vejo. Eu os observo. E os dedos masculinos pousam em cinturas famigeradas “femininas”. Ouço crianças gritarem enquanto correm pelo chão do Estado. E elas gritam: – É meu. É meu! Hora … Continuar lendo Capitão meu capitão

Entrevista com a escritora, Lunna Guedes

Escritores(as)!

Venho por meio deste lhes apresentar a primeira entrevista realizada pessoalmente com perguntas e fotografias feitas por mim. Todas as palavras aqui contidas foram transcritas de uma forma singular por uma pessoa muito querida por mim que tive o prazer de conhecer através desse universo dos blogs e que desde então temos uma relação de escrita e café muito proveitosa. Os convido para apreciarem as palavras da Escritora, Editora e Artesã de livros, Lunna Guedes dona da editora:  Scenarium PluralContinuar lendo “Entrevista com a escritora, Lunna Guedes”

Rachadura pós sexo

Há uma rachadura na parede que encaro enquanto tenho meu corpo – nu – em cima do corpo de uma mulher.

Grudadas por suor em formato de cola é possível sentir as veias que sobressaltam nosso peito – pescoço – vulva.

Meus olhos estão fixos demais na rachadura. Fixos tão firmemente que duas gotas d’água pingam por cima dos ombros dela e caem diretamente no meu lençol azul sujo como todo o resto deste quarto.

Em minha mente eu só consigo pensar no quanto eu queria trepar até que minhas entranhas saíssem pelo meu grelo Continuar lendo “Rachadura pós sexo”

NOVOS AUTORES

A minha cor é a ameaça

A viatura já estava quase me ultrapassando… Eu estava dirigindo meu carro devagar, tranquilo, escutando um Rap. Quatro PMs e só um me notou. Justamente o irmão da minha cor e imediatamente fui parado, abordado, revistado e questionado porque estava num carro daquele e nem é zero. O meu carro, comprado com o suor da minha labuta diária.

Nestas minhas 4 décadas de vida, aprendi a não responder quando alguém só quer um motivo, aprendi a sobreviver quando todas as estatísticas me colocam como morto: preto, pobre, morador da periferia. Mas estou aqui. Continuar lendo “NOVOS AUTORES”

PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 | LIVROS

A uma segunda derme que me reveste, posso sentir o chiar das bolhas invisíveis que brotam das pintas e das verrugas. Na madrugada tudo em mim fica mais rijo, mais firme, como se eu fosse capaz de criar dentro de mim um ser que nunca haveria de ser planejado. Me esquento tão vorazmente na mesma proporção que esguicho água fria pelas entranhas. Engulo um grande pedaço de carne bovina coagulada, meio mole, meio fétida. Transformo-me. Transfiguro-me. Transpasso-me.

Livros são em mim, uma mistura de água de privada com adoçante de marca barata. Continuar lendo “PROJETO FOTOGRÁFICO 6 ON 6 | LIVROS”