Capitão meu capitão

Homens com as costas coladas no cimento frio. Três crianças negras jogando bola. Ao longe um moletom rosa tenta sobressair o pescoço infantil que ninguém enxerga. Gays. Homos. Lésbicas. Travestis e bissexuais. Eu os vejo. Eu os observo. E os dedos masculinos pousam em cinturas famigeradas “femininas”. Ouço crianças gritarem enquanto correm pelo chão do Estado. E elas gritam: – É meu. É meu! Hora … Continuar lendo Capitão meu capitão

A democracia brasileira e o amor ao ódio

Um branco em tom de jaleco atravessa um muro preto. Um preto em tom de sujeira pisa num chão branco. Os dois tons se unem em comunhão a troca – uns vendem pinos e papéis – uns oferecem narizes e notas altas. Há pedras rolando nas mãos infantis. Há pedras que fumam. Há pedras que matam. Vermelho combina com olhos esfumaçados – que combina com … Continuar lendo A democracia brasileira e o amor ao ódio

Maratone-se #4

Injúria, hoje você me come com talheres de plástico.

Dor de cabeça, hoje você me come com palitos de madeira.

Coluna, hoje você me come com pimenta dedo de moça.

Vida, hoje você me fode com um pano embebido em gasolina enfiado em minha boca. Continuar lendo “Maratone-se #4”

Desafio Literário | O que a vida fez de mim?

Por aqui temos o sol carcomendo minha pele ressecada. Temos hoje, cerveja barata custando 1,29 apenas. Temos também um arsenal parcialmente grande de livros para cheiras e lamber as orelhas enquanto os pássaros cantam um tanto quanto roucos pousados em galhos cerrados pela ferramenta do homem. Claro, já quase ia esquecendo, hoje é dia de feira por aqui também, mas estou numa dúvida danada entre um pastel tamanho especial ou mais meia dúzia de cerveja barata antes do horário do almoço.

Enfim, dias como este me lembram poemas escritos em últimas circunstancias sobre coisas que precisam ser vomitadas antes que o sol exploda em forma de câncer de pele. E por falar em poema, estou aqui a ler Paulo Ferrari e pensando… Se conseguires faz o que quiseres de mim, ó diabólica vida…

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Desafio Literário | O que a vida fez de mim?

Todos os entraves da vida se misturam em nossos sonhos e nas nossas expectativas. Quando crianças somos condicionadas a esperar do futuro sempre o melhor e o mais colorido possível do progresso. Mas aí, nós crescemos e descobrimos que mesmo com o sol batendo nos vitrais de nossas janelas, tudo o que sempre desejamos nunca sai da maneira como a gente quer. Então a vida bate feio em nosso lombo e nos castiga, mas quer saber? Isso é resistência!

Hoje vocês podem acompanhar a trajetória de vida da autora, Ana Claudia Marques e refletir sobre as coisas que a vida faz com a gente. Fere, arde, não é a morte mas vale como uma puta experiência. Uma crônica que deixa tão visível os passos e os sentimentos adquiridos ao longo de vinte e tantos anos.  Continuar lendo “Desafio Literário | O que a vida fez de mim?”

A vida falhou conosco miseravelmente

despertei para a chuva e os girassóis estavam mortos,
as plantas de plástico nos vasos de plástico,
tristes como bonecos de cera;
mais outra namorada se foi
e as garrafas de vinho se acumulam
como moscas beijadoras de morte. Continuar lendo “A vida falhou conosco miseravelmente”

Geração mordaça

As portas se fecham. O sino soa. Os carros partem. Fujo da plataforma parada. Uma força maior, um impulso, e eu salto rumo a minha liberdade.

Tudo tem a ver com as amarras mentais e no quanto você se castiga e se machuca. A troco de quê? Por quê? Continuar lendo “Geração mordaça”

O tempo é meu inimigo?

Eu mesma já não sei de mim. Tenho vagado pelas ruas do centro olhando os relógios digitais espalhados pela cidade só esperando o tempo me dizer que está na hora. E eu fico a imaginar, que hora é essa? Hora de quê? Pra quê?

Sigo trilhas de bitucas de cigarros e isso me faz lembrar que pessoas morrem de câncer, mas mesmo assim o câncer não é tão deprimente quanto morrer pela falta de tempo. Continuar lendo “O tempo é meu inimigo?”

Mãe, eu sou lésbica e parcialmente feliz.

Lembra aquele dia que você me obrigou a usar um vestido justo e curto e verde de alças finas, e eu chorei como se o mundo fosse acabar numa morte trágica e fatídica, então, mãe?

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