Personagem: Mulher…

Na semana-mês que passou por mim, atribuíram-me uma vez mais o adjetivo característico durante uma fala: “achava que você era lésbica-sapatão”… devido ao meu jeito-estilo de ser-existir e de se vestir. Eu ri porque nunca me ocupei de rótulos. Não os atribuo, tampouco os considero para consumo. Nunca me preocupei com a imagem que o outro tem de mim… até por considerar impossível saber o que o outro vê quando me olha-observa. O olhar tem suas formas peculiares de rótulos e eu nunca me afeiçoei as fôrmas e suas formas. Sempre fui aquela que fugia das multidões, procurando o lado contrário, o canto oposto…

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nas entrelinhas do (r)existir

quando nasci
abriram-me as pernas
é menina! é menina! anunciaram as enfermeiras
com certa euforia
de quem esconde o que está debaixo do nariz

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Sarar e desprender, desprender e sarar

Às vezes, a minha alma pede desprendimento
E eu cá, obedeço.

Me lanço da vaga e exata latência
Entre não temer quase nada
E estar em paz
Elegendo minha melhor face:

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Mais do que um simples corpo feminino

Eu sou mais do que um simples corpo feminino que vagueia neste planeta, também sou uma mente, também sou uma alma. Por vezes boa, outras má. Geralmente fico má quando sinto que me ofendem e que me desrespeitam além dos limites que eu tolero. Eu mulher, existo e nasci com escolhas. No final, tal como tu, serei a única que “responderei” pelo que escolhi fazer … Continuar lendo Mais do que um simples corpo feminino

Eu, Mulher, Existo e Resisto.

Eles chamam-me fraca,
Sou do sexo frágil,
Chorar e reclamar,
É tudo que sei fazer.

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Bianca mudou

Já fazia algum tempo que Ronaldo via mudanças em sua princesa Bianca. Ela já não via os canais infantis, as unhas já não estavam mais pintadas de rosa. O cabelo de sua filha parecia maior e mais bonito e agora ele se perguntava em que raio de lugar venderia aquele baton preto que ela usava o dia todo.

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A mulher contemporânea — pela Literatura e pela História

Veja se concorda comigo.
Mulher é como a literatura. Duvido até mesmo que as questões existenciais e a arché dos antigos
apresentassem tantas variações quantos foram os papéis das mulheres na história da humanidade.
No início, seu “endeusamento” se dava pela sua fertilidade: era símbolo de continuidade das
gerações, da perpetuação da espécie humana. Muitas comunidades matriarcais se levantaram por
conta dos descendentes desses seres quase celestiais ofertados pelos deuses para que a vida
tomasse forma.

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Presta bem atenção

Sempre que respiro sinto que o ar não me basta
Meus pulmões inflam, mas não se nutrem,
Dizem-me que esse ar é meu por direito
Tenho lá minhas dúvidas
Por que, então, quando encho meu peito
Sinto uma falta pútrida?

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Eu, mulher sou flor

eu, liri(c)o

exalo o perfume

do teu corpo

e se me der lírios

dê-lírio de prazer

eu, girassol

você, meu sol

juntos, faíscas

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Ser, mulher

Germinamos no meio fio,entre os blocos de concreto por onde vocês pisam e cospem, menosprezando toda e qualquer dor que venhamos sentir. A censura da nossa voz, dos nossos peitos e nossas bocetas, seus elogios que reviram o estômago e suas flores tão envenenadas quanto suas intenções, mascaram o medo em termos cada vez mais força.

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