Eu, mulher, existo e resisto! Post fixo

Coletânea de escritoras

Ao longo dos anos, tivemos uma grande parcela de invisibilidade ao qual ainda carregamos a margem dos tempos atuais, seja no mercado de trabalho, seja no relacionamento, seja no núcleo familiar, seja na cultura, educação e principalmente, na literatura.

Mediante a esta invisibilidade e a palavra: Mulher, ser pouco discutida hoje em dia, tornando-se assim, uma premissa pejorativa e violada. Pensando nisso, decidi reúnir uma gama de mulheres escritoras para escrever a partir do tema: EU, MULHER, EXISTO E RESISTO!

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Ser, mulher

Germinamos no meio fio,entre os blocos de concreto por onde vocês pisam e cospem, menosprezando toda e qualquer dor que venhamos sentir. A censura da nossa voz, dos nossos peitos e nossas bocetas, seus elogios que reviram o estômago e suas flores tão envenenadas quanto suas intenções, mascaram o medo em termos cada vez mais força.

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A despedida da mulher serpente

O peixe fresco e o chá estavam em cima da mesa. Havia também um pouco de arroz dentro da tigela. A casa permanecia no mais completo silêncio. Vovó Yasu estava no templo fazendo suas orações. Os pequenos “Ohashis”, como eram chamados os gêmeos, brincavam com origamis. Papai estava na lavoura de arroz e mamãe lavava algumas peças de roupas.

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A LUNETA

O balançar das ondas me desperta. Águas suaves, macias e discretas. Hoje elas estão mansas. Não querem assustar ninguém. As gaivotas sabem disso e pousam sem medo na beirinha da praia. À procura de alimento, elas bicam a água e acenam umas para as outras. Com o canto do amanhecer, esses pássaros de luz soltam o seu feitiço em cima dos mortais.

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Eu mulher, existo e resisto

Eu mulher nem sempre fui minha própria morada,

tive medos, angústias, receios

Habitar em mim era desesperador

Mas eu existo, e me reencontrei

fiz de meu corpo meu próprio lar

me encontrei em cada palavra de meu pensamento que saiu e se tornou poesia

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A memória é imperfeita

A estrada serpenteava pela serra, e o pequeno automóvel ia devagar. Em alguns pontos era possível ver a cidade lá embaixo, parecendo bem mais próxima do que os dezoito quilômetros que as placas indicavam. Ao volante, uma mulher de cabelos curtos que beirava os quarenta anos observava a paisagem, sentindo uma fugaz tranquilidade. No banco do passageiro, um jovem alto e forte falava sem parar … Continuar lendo A memória é imperfeita

Tempo de Renascimento

Sinto algo me sufocar, acordo assustada. Ouço a chuva cair no telhado. Mais uma madrugada de sono perdida. Tive sonho, (re) lembrança do dia em que me sufocou contra a geladeira. Lembro que vi as imagens dela em seu celular e fui tomada por um nojo, te confrontei. Confrontar. Logo você que detesta quando alguém te contraria. Eu não sei por que fiz isso pois já sabia a verdade.

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MULHER-GOTA

Mulher,
Tu és gota que irradia o mar, os rios…
Que chove, invade a casa, o prumo.
Percorre o cano em meio à rachadura
Nascida num dia obscuro.
Tu és gota que faz sentir o prazer do gozo, que vira suor, sangue, amor, que exagera, não tolera atrasos e nem despedidas.
Gota que une, trafega e some no horizonte das esperanças infecundas.

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Nua e crua

– Mãe, por que os meninos podem andar sem camisa por aí, e eu não?
Eu tinha cinco anos, o calor era de rachar, e tudo o que eu queria era um refresco. Minha mãe, por sua vez, ficou meio sem graça, mudou de assunto, me deixando sem respostas. Na hora, a mudança de assunto funcionou e acabei me distraindo com um passarinho que pousava na árvore mais próxima. Contudo, o tempo passou e, sempre que via um homem sem camisa, o incômodo retornava.

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Eu, mulher, existo e resisto

Nascer e se tornar mulher é um ato de resistência. Existir em um mundo tão desigual, um mundo violento e abusivo é um ato de resistência. Tem gente que não compreende essas questões que sempre falamos e colocamos em pauta, ou talvez se façam de desentendidos, já que uma boa parcela foi ensinada a reproduzir o discurso patriarcal machista e levar para as futuras gerações.

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Quase um conto – tão real…

Foram anos de massacre.
Não agressivo
Sem alarde
Aceito socialmente.
Quase sem intenção
Ou consciência
Como se fora natural.
Mas massacre.
Sufocou o insufocável sonho.
Ele nem se deu conta.

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